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ENCERRANDO CICLOS: A Importância do Luto na Transição de Carreira




Escrevi este artigo há alguns anos e, lembrando dele na semana passada, decidi repostá-lo.


Uma amiga e colega de profissão me questionou se eu possuía algum material sobre como encerrar um ciclo de carreira. Muito se comenta sobre o início de um novo ciclo, mas raramente sobre o encerramento emocional de um, que é tão crucial quanto o começo. Como não tinha nenhum material ou referência para indicar, decidi escrever.


Realmente, discutimos pouco sobre como encerrar um ciclo de carreira. Há muitas perspectivas sobre esse assunto. E


Quando enfrentamos uma perda, reagimos emocionalmente com tristeza, raiva, arrependimento, negação, choque ou uma combinação deles. Essa reação é frequentemente sentida fisicamente, manifestando-se como um nó no estômago ou uma sensação de vazio no peito. Em seguida, vem o desafio de lidar com esse vazio e expressar a dor. O choro é uma forma de expressão.


No contexto da carreira, isso pode se referir desde a transição de um emprego para outro até uma transformação mais profunda de identidade. Raramente damos espaço para o luto nesses momentos. Quando mudo de emprego, estou encerrando uma relação; quando mudo de carreira, deixo uma identidade para construir outra.


Frequentemente, sentimos que não temos tempo ou não nos permitimos tê-lo. No mundo profissional, há o receio de sermos vistos como “disponíveis no mercado”. Quantas vezes já me questionaram sobre a prudência de emendar um emprego no outro ou buscar um novo trabalho enquanto ainda empregado. Essa é a percepção coletiva que construímos em torno da carreira: não podemos ter baixas, apenas altos.


Mesmo assim, sinto que as mentalidades estão mudando, e hoje já permitimos e compreendemos mais do que no passado. Reconhecemos que nossas carreiras, assim como nossas vidas, são compostas de altos, baixos e de platôs.


Recordo-me de duas situações em que clientes meus de coaching descreviam mudanças de emprego, e eu não conseguia distinguir se falavam da empresa anterior ou da atual. Parecia que estavam revivendo a mesma dinâmica no novo local de trabalho. Será que saíram ou entraram num novo trabalho? Será que não carregaram a bagagem do passado? Sem talvez ter dado tempo suficiente para desempacotar sobre suas experiências.


Participei de um workshop com um coach americano que comparou a vida às estações do ano: primavera, verão, outono e inverno. Muitas vezes, agimos como se estivéssemos em uma primavera eterna, ignorando nossos momentos de inverno. Uma pessoa compartilhou sua saída tumultuada de uma empresa onde trabalhou por muitos anos. A resposta do coach foi clara: “Você está no seu inverno, e não adianta tentar acelerar esse processo. Viva o seu inverno; em seguida, a primavera chegará!”


Às vezes, recomendo que as pessoas leiam "Cartas a um Jovem Poeta" de Rainer Maria Rilke para ajudar no processo de reflexão. Segue um trecho de uma das cartas:

“Gostaria de lhe pedir, caro Senhor, que tenha paciência quanto a tudo o que está ainda por resolver em seu coração e que tente amar as próprias perguntas como se fossem quartos fechados ou livros escritos em língua estrangeira. Não busque agora as respostas que ainda não pode viver. Tudo deve ser vivido. Viva as perguntas agora. Talvez, gradualmente e sem perceber, em um futuro distante, você consiga viver as respostas.”

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